domingo, outubro 31, 2010

Reggae no Bar do Bulga

O comando é dde Jimmy Cliff, Bob Marley, Peter Tosh e convidados na festa de 5 anos do blog.. Entre nesse antológico balanço AQUI

01 Love I Need - Jimmy
Cliff
02 No Woman no cry - Bob
Marley
03-Do you really want to hurt me - The Heptones
04-Get up, stand up - PeterTosh,
05 Vietnam - Jimmy Cliff
06 Mr. Loverman -- Shabba Ranks & Chevielle Franklin -
07-Soul Rebel - Bob Marley
08-You can get it if you really want - Desmond Dekker
09-Oh Carolina - Byron Lee & The Dragonaires
10 Reggae Night - Jimmy Cliff
11- Lagos jump - Third World
12- Legalize it -  PeterTosh,
13 -Great Train Robbery - Black Uhuru
14-Stir it up - Bob Marley
15 Wild World - Jimmy Cliff
16-  I can see clearly now  Johnny Nash
17 -No speech, no language - Gregory Isaacs
18 The Lion Sleeps Tonight - Jimmy Cliff
19 Three Little Birds - Bob Marley
20 Knockin' on heaven's door - Jimmy Cliff
Bob Marley Mick Jagger PeterTosh

Cliff e Gilberto gil

A presidente de Gabrovo

Agora esse post está valendo!
A pequena cidade de Gabrovo, nas montanhas da Bulgária, vive momentos difíceis. O desemprego é alto, os jovens põem a mochila nas costas e vão para a Europa buscar algum futuro. Ainda assim, a prefeitura decidiu fazer uma gastança: contratar músicos e bailarinas de fora para a grande homenagem à sua filha mais ilustre, Dilma Vana Rousseff. 'Faremos uma grande festa quando o resultado da eleição for conhecido', avisa o prefeito Nikolai Sirakov.

Para a família Russév - esse o sobrenome da família búlgara de Dilma - as eleições do Brasil já serviram, ao menos, para restabelecer o contato com os parentes no Brasil. As lembranças enchem de lágrimas os olhos de Toshka Kovacheva, tia de Dilma, ao lembrar-se de Petar Russév, que no início do século passado deixou o país e se instalou no Brasil. 'Nunca soubemos por que ele fugiu. É o mistério da família', diz Vesela Koleva, prima de segundo grau da candidata.

Mas não é só Gabrovo que espera, ansiosa, o grande momento. De simples cidadãos à cúpula do governo, todos seguem a campanha eleitoral brasileira. Na quinta-feira, o jornal das 6 da tarde de uma emissora de rádio de Sofia, a capital, a primeira notícia não era a crise financeira nem a expulsão de ciganos da França. Era o fato de que Dilma tinha parado de cair nas pesquisas. Um dos jornais mais lidos do país o '24 Horas', publicou foto de Dilma sentada na cabine do Aerolula, como quem já comandasse os destinos do Brasil.

Árvores genealógicas, montadas com ajuda de seus parentes em Gabrovo, foram publicadas na imprensa. A própria prefeitura ordenou uma busca dos seus antepassados ao saber que alguns deles viviam nas montanhas da região central do país. Uma das primas de segunda geração de Dilma, Albena Miteva, admitiu ao Estado que pouco havia ouvido sobre ela, durante anos. 'Sabia que tínhamos familia no Brasil. Mas nada além disso'.

O governo búlgaro não hesitou em entrar na onda: Dilma tem sido mostrada como exemplo de uma búlgara que fez sucesso no exterior - o contrário da imagem negativa criada na Europa, falando de migração e pobreza.

E o assunto tomou as ruas, as conversas de gente comum. taxistas, recepcionistas. "O Brasil já é uma potência. Se tem uma futura presidente, ela será a mulher mais poderosa do mundo", diz Plamen Bonev, que cuida de uma agência de aluguel de carros em Sofia. No mesmo tom, a estudante Ivete Stoyanova, comenta: "Será uma grande alegria ter uma búlgara presidente do Brasil. Estamos todos emocionados." Fonte: AE
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Fantástico, o incrível e o extraordinário

Vejam só: para o Halloween (Dia das Bruxas), o escultor americano Ray Villafane, de 41 anos, está exibindo em Bellaire, no estado de Michigan (EUA), uma série de esculturas assustadoras feitas em abóbora. Cada uma leva até duas horas para ficar pronta

Fesival de Cinema em novembro



O cineasta Pery de Canti, além de promover o já tradicional Festival de Cinema de Maringá, estica os braços para Petrópolis que ganha uma versão do evento agora em Novembro.

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sábado, outubro 30, 2010

A Montanha Mágica

thomas mann



(...)
"Dois dias de viagem apartam um homem – e especialmente um jovem que ainda não criou raízes firmes na vida – do seu mundo cotidiano, de tudo quanto ele costuma chamar seus deveres,
interesses, cuidados e projetos; apartam-no muito mais do que esse jovem imaginava enquanto um fiacre o levava à estação. O espaço que, girando e fugindo, se roja de permeio entre ele e seu lugar
de origem, revela forças que geralmente se julgam privilégio do tempo; produz de hora em hora novas metamorfoses íntimas, muito parecidas com aquelas que o tempo origina, mas em certo sentido
mais intensas ainda. Tal qual o tempo, o espaço gera o olvido; porém o faz desligando o indivíduo das suas relações e pondo-o num estado livre, primitivo; chega até mesmo a transformar, num só
golpe, um pedante ou um burguesote numa espécie de vagabundo. Dizem que o tempo é como o rio Letes; mas também o ar de paragens longínquas representa uma poção semelhante, e seu efeito,
conquanto menos radical, não deixa de ser mais rápido."
(...)

MANN, Thomas. A Montanha Mágica. São Paulo, Círculo do Livro, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, s/d, pág. 8


Antologia: Películas Para no Dormir


Já comentamos aqui a perie "“Películas para no dormir” é uma antologia de seis filmes para TV de uma hora cada realizados em 2006 para a Telecinco, rede de televisão espanhola. A partir de hoje, o blog My One Thousand Movies vai, aos poucos disponibilizar os longas. Em Maringá, já encontrei tres deles vendidos em supermercados a 9,90 cada.
A produção do projecto é da própria Telecinco e da Filmax. A realização dos filmes ficou a cargo de alguns dos maiores nomes do cinema espanhol: Narciso Ibáñez Serrador, Jaume Balagueró, Álex de la Iglesia, Paco Plaza, Mateo Gil e Enrique Urbizu.
As histórias foram inspiradas na série televisiva “Historias para no dormir”. Esta série foi exibida na TVE entre 1965 e 1974 e focava temas nas áreas do fantástico. Narciso Ibáñez Serrador foi o apresentador e neste novo projecto é o coordenador.


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Tenha medo, muito medo!



Um casal de Tampa, no estado da Flórida (EUA), levou um susto após descobrir que o esqueleto que havia comprado para usar na decoração do Halloween (dia das Bruxas), que é comemorado no dia 31 de outubro, era real, segundo reportagem da emissora de TV "Fox".
Judith e Mitch Fletcher pagaram US$ 8 pelo esqueleto humano que pensavam ser feito de plástico. Ao descobrir que real, o casal avisou a polícia do condado de Hillsborough.
A polícia levou os ossos para análise de um médico legista, que determinou que eles formavam um esqueleto humano preparado anatômico, normalmente utilizado nos cursos de medicina.
De acordo com a porta-voz da polícia, Cristal Bermudez Nunez, os detetives estão contatando as faculdades e universidades para ver se elas não deram falta de um esqueleto.
A lei estadual proíbe que as pessoas possuam esqueletos humanos. Por isso, Judith e Mitch não poderão ficar com o esqueleto.(Fonte: Noticias Bizarras)

sexta-feira, outubro 29, 2010

Umas & Outras

Estou vivo!
Para alivio de todos.

Explico
Acabei de chegar de um churrasco que não fui.

O churrasco
Era para toda a redação da RPC, subsidiado pelos novatos na casa: Roberta, Joabe, Marcos e eu.

Saímos
Da TV as 19h30.

Tudo bem
Até que chegamos na estrada para Iguaraçu.

Problemas
O corsinha não rendia.

Xingamentos
Com a pista em mão dupla, tivemos que ouvir alguns impropérios dos apressados.

Acostamento
Não tinha

Chuva
Tinha. E de noite.

Enfim
Conseguimos parar e retornar na mesma marcha à Maringá.

No posto
É a ventoinha, aquecimento.

Retornei
Para a TV. Todos já haviam saído.

Telefonei
Da cabine do vigia.

Descobri
Que em Iguaraçu, os celulares de quem liguei não funcionavam.

Atendeu!
Era a Elaine. Mas ela não ia.

Em casa
Liguei para o colega Marcos e expliquei.

Resultado
Perdi o meu próprio churrasco.

Agora
É honra reunir novamente a galera.

Tenha medo, muito medo!

quarta-feira, outubro 27, 2010

Samba Soul no ...


Depois do samba rock, sobrou essa coletânea para os romanticos. É meio setentista, é verdade. Mas tem muito Tim. Sobrou até pra Elis Regina e novamente Di Melo o ilustre desconhecido do time com mais uma faixa do LP A Vida Em Seus Métodos Diz Calma de 1975 (raridade). .   Pedidos por e-mail.

01-TIM MAIA _ PRIMAVERA .
02-HYLDON _ NA SOMBRA DE UMA.ARVORE.
03 CARLOS DAFE PRA QUE VOU RECORDAR O QUE CHOREI
04-TIM MAIA _ RÉU CONFESSO
05-HYLDON _ AS DORES DO MUNDO..
06 - PAULO DINIZ UM CHOPE PRA DISTRAIR
07 - TIM MAIA - RISOS.
08-HYLDON _ NA RUA, NA CHUVA..
09-CASSIANO _ A LUA E EU
10-TIM MAIA _ GOSTAVA TANTO DE VOCE..
11-HYLDON _ SÁBADO E DOMINGO..
12-CASSIANO _ COLEÇÃO.
13-TIM MAIA _ AZUL DA COR DO MAR.
14 - TIM MAIA - VOCÊ.
15 -ELIS REGINA - BLACK IS BEAUTIFUL..
16 - TIM MAIA  - EU AMO VOCÊ..
17 -  DI MELO - MÁ-LIDA.
18 -PAULO DINIZ - COMO.  
19 TIM MAIA - CRISTINA.  
20 - DOM BETO - PENSANDO NELA..

segunda-feira, outubro 25, 2010

O Mundo de Pelé - Museu da Imagem e do Som (1969)

O ótimo blog A Música que vem de Minas está dividido essa documento com os amigos. É uma homenagens aos 70 anos do Rei. Vale a pena conferir. No disco ele conta a história de sua vida e também canta e toca violão, em três músicas, para quem não sabe o atleta também se arriscava como músico e compositor.
Na época desta gravação ele tinha somente 26 anos e já era um jogador consagrado na Vila Belmiro e também na Seleção Brasileira.
Tem até detalhes e a narração do milésimo gol. Confira AQUI

Fogão bombando

O video do Fogão publicado pelo Bar do Bulga está agora na Rádio Botafogo. Mas quem não tem acesso, pode conferir as emoções aqui.

domingo, outubro 17, 2010

Fotos históricas com efeito 3D

Domingão


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Tati, a Garota



Os problemas de uma mãe solteira (Dina Sfat) que sai da Penha e vai morar em Copacabana com Tati (Daniela Vasconcelos), sua filha de seis anos, que sempre quer saber quem é seu pai. Neste recomeço a falta de dinheiro deixa a mãe em sérias dificuldades, que a faz tomar medidas extremas.

Obs:
O primeiro filme do Bruno Barreto tem muitas falhas, mas é um achado ao mostrar o Rio no início dos anos 70. Abaixo, a cena de abertura com a viagem de Tati entre o bairro da Penha até Copacabana. Detalhe para o aterro do Flamengo onde existia um avião de verdade no meio do jardim. As crianças adoravam. O filme (em excelente ripagem) é uma cortesia do Acervo Nacional



Elenco:


Daniela Vasconcelos
Marcelo Carvalho
Hugo Carvana
Wilson Grey
Vanda Lacerda
Zezé Macedo
Fábio Sabag
Dina Sfat


Ficha Técnica:


Gênero: Drama
Tempo de Duração: 87 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 1973
Estúdio: Luiz Carlos Barreto Produções Cinematográficas Ltda.
Distribuição: Embrafilme
Direção: Bruno Barreto






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Receita de Domingo

Paulo Mendes Campos

Ter na véspera o cuidado de escancarar a janela. Despertar com a primeira luz cantando e ver dentro da moldura da janela a mocidade do universo, límpido incêndio a debruar de vermelho quase frio as nuvens espessas. A brisa alta, que se levanta, agitar docemente as grinaldas das janelas fronteiras. Uma gaivota madrugadora cruzar o retângulo. Um galo desenhar na hora a parábola de seu canto. Então, dormir de novo, devagar, como se dessa vez fosse para retornar à terra só ao som da trombeta do arcanjo.
Café e jornais devem estar à nossa espera no momento preciso no qual violentamos a ausência do sono e voltamos à tona. Esse milagre doméstico tem de ser. Da área subir uma dissonância festiva de instrumentos de percussão — caçarolas, panelas, frigideiras, cristais anunciando que a química e a ternura do almoço mais farto e saboroso não foram esquecidas. Jorre a água do tanque e, perto deste, a galinha que vai entrar na faca saia de seu mutismo e cacareje como em domingos de antigamente. Também o canário belga do vizinho descobrir deslumbrado que faz domingo.

Enquanto tomamos café, lembrar que é dia de um grande jogo de futebol. Vestir um short, zanzar pela casa, lutar no chão com o caçula, receber dele um soco que nos deixe doloridos e orgulhosos. A mulher precisa dizer, fingindo-se muito zangada, que estamos a fazer uma bagunça terrível e somos mais crianças do que as crianças.

Só depois de chatear suficientemente a todos, sair em bando familiar em direção à praia, naturalmente com a barraca mais desbotada e desmilingüida de toda a redondeza.

Se a Aeronáutica não se dispuser esta manhã a divertir a infância com os seus mergulhos acrobáticos, torna-se indispensável a passagem de sócios da Hípica, em corcéis ainda mais 
kar do que os próprios cavaleiros.

Comprar para a meninada tudo que o médico e o regime doméstico desaconselham: sorvetes mil, uvas cristalizadas, pirulitos, algodão doce, refrigerantes, balões em forma de pingüim, macaquinhos de pano, papaventos. Fingir-se de distraído no momento em que o terrível caçula, armado, aproximar-se da barraca onde dorme o imenso alemão para desferir nas costas gordas do tedesco uma vigorosa paulada. A pedagogia recomenda não contrariar demais as crianças.

No instante em que a meninada já comece a "encher", a mulher deve resolver ir cuidar do almoço e deixar-nos sós. Notar, portanto, que as moças estão em flor, e o nosso envelhecimento não é uma regra geral. Depois, fechar os olhos, torrar no sol até que a pele adquira uma vida própria, esperar que os insetos da areia nos despertem do meio-sono.

A caminho de casa, é de bom alvitre encontrar, também de calção, um amigo motorizado, que a gente não via há muito tempo. Com ele ir às ostras na Barra da Tijuca, beber chope ou vinho branco.

O banho, o espaçado almoço, o sol transpassando o dia. Desistir à última hora de ver o futebol, pois o nosso time não está em jogo. Ir à casa de um amigo, recusar o uísque que este nos oferece, dizer bobagens, brigar com os filhos dele em várias partidas de pingue-pongue.

Novamente em casa, conversar com a família. Contar uma história meio macabra aos meninos. Enquanto estes são postos em sossego, abrir um livro. Sentir que a noite desceu e as luzes distantes melancolizam. Se a solidão assaltar-nos, subjugá-la; se o sentimento de insegurança chegar, usar o telefone; se for a saudade, abrigá-la com reservas; se for a poesia, possuí-la; se for o corvo arranhando o caixilho da janela, gritar-lhe alto e bom som:
never more.

Noite pesada. À luz da lâmpada, viajamos. O livro precisa dizer-nos que o mundo está errado, que o mundo devia, mas não é composto de domingos. Então, como uma espada, surgir da nossa felicidade burguesa e particular uma dor viril e irritada, de lado a lado. Para que os dias da semana entrante não nos repartam em uma existência de egoísmos.

Texto extraído do livro "O Cego de Ipanema", Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1960, pág. 41.

sábado, outubro 16, 2010

Morre José Angelo Gaiarsa


O médico psiquiatra José Angelo Gaiarsa morreu neste sábado (16) aos 90 anos. Segundo sua neta Laura, Gaiarsa morreu em São Paulo por volta das 5h enquanto dormia. A família ainda não sabe a causa da morte.
O velório será hoje, a partir das 14 horas, no cemitério São Paulo. O corpo será enterrado no cemitério da Assunção, em Santo André, onde o psiquiatra nasceu. José Gaiarsa era divorciado e deixa três filhos e oito netos.
Nascido em 19 de agosto de 1920, Gaiarsa sempre será lembrado como um iconoclasta. Ele falava muito contra a estrutura familiar clássica, segundo ele a maior geradora de neuroses nos indivíduos, e apoiava abertamente, em redes de rádio e TV, a liberdade feminina já na década de 1960.
Me lembro de um excelente quadro que ele tinha num programa matinal da Bandeirantes. Gostava muito dele.


Difusão (1994)

Win Leendert Van Dijk


Passei minha infância em Petropolis sendo vizinho de Win Leendert Van Dijk . Van Dijk, como era conhecido, nasceu em Rotterdam, na Holanda, a 1o de junho de 1915 em plena primeira Guerra Mundial e foi pro front na guerra seguinte. Perdeu as duas pernas. Chegou ao Brasil em 1947 aos 32 anos . Adotou Petrópolis onde instalou o atelier no bairro Mosela. Na cidade serrana casou e teve três filhos. Suas telas estão em coleções particulares no mundo inteiro. Ajudou na criação da Comac, obra de amparo aos menores de rua. Morreu em 27 de novembro de 1990, aos 75 anos.


Malentendido



Crônicas da Cidade Amada é um filme brasileiro de 1965, dirigido por Carlos Hugo Christensen. O roteiro foi escrito por Millôr Fernandes, Manuel Bandeira, Pedro Bloch,Carlos Hugo Christensen, Carlos Drummond de Andrade, Orígenes Lessa, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Dinah Silveira de Queiroz, Paulo Rodrigues. aqui, o Bar do Bulga selecionou o episódio O Malentendido, do texto original de Orígenes Lessa.

Texto de Orígenes Lessa
Os dois garotos brincam na praia. Um branquinho, queimado de sol, olhos claros, quase negro de tamanho sol toda manhã. O outro, negrinho retinto de avós na senzala, de família no morro. Os dois descem à praia diariamente. O primeiro, de um nono andar, apartamento de frente, tapete no chão, lustres de cristal de muitas bocas, orgia de espelhos nas paredes. O outro, de um morro qualquer, barraco de madeira com São Jorge enfeitado de flor, um “dois-dois” de barro pintado, vaso de arruda na porta. Os amigos se encontram na hora certa, camaradagem de pé na areia igualitária. O primeiro traz bola. O segundo traz jogo. O primeiro é bem nutrido, atestado vivo de que caldo de vitamina batido em liquidificador é bom mesmo. O segundo é fino e sujo, os dentes inexplicavelmente claros e fortes, o riso irreverente, a gaforinha de areia sempre renovada nas pelejas da praia. Paulinho chama-se um, porque o avô foi Paulo e com ele começou a fortuna da casa. O outro chama-se Jorge, porque Ogum é padrinho.
Descem os dois todos os dias. Quando Paulinho vem acompanhado pelos pais, Jorginho assiste, com um grave olhar de técnico aposentado, à pelada em que a censura familiar não deixa preto se meter. Quando Paulino vem só com a empregada – e é quase sempre – nem é preciso pedir licença. Jorginho tem lugar seguro, que ele é o artilheiro-mor da vizinhança. E a pelada se prolonga. Por ele, a manhã toda, a tarde toda. Não tem escola, não tem compromisso. Amendoim torrado ele só vende mesmo à noite, ora à porta do Rian, ora do Roxi. Mas ao fim de meia hora, de uma hora, a pelada vai se desfazendo. Parentes e empregadas vêm recolher os futuros Garrinchas, os Pelés e Zagalos em formação. Paulinho fica mais tempo. E, quando está só, ele e Jorginho descansam na areia. Inseparáveis na pelada – Paulinho arama o jogo, Jorginho apanha o couro e arremata de maneira inapelável – uma funda rivalidade os separam em tudo. Nunca se entendem. Porque Paulinho é importante, Jorginho um coitado. Paulinho vai à escola à tarde, de Cadillac. Jorginho vende amendoim na boca da noite. Oito anos, Pulinho. Nove anos, Jorginho. Reconhecendo a superioridade incrível do negro, no bate-bola, reclamando a sua colaboração, garantidora de tentos, Paulinho se vinga depois. E com sua falta de diplomacia, tão própria da idade, faz valer os seus títulos, para humilhar o companheiro.
- Tua casa tem tapete no chão?
Resposta negativa de Jorge.
- A minha tem. Até no quarto de empregada.
E continua:
- Tem lustre de cristal?
Jorginho pergunta o que é. Paulinho explica. Jorginho não tem. Luz no barraco vem dos fifós. Um vidro de sal de fruta, o outro de Phymatosan.
- Teu pai tem sítio em Petrópolis?
- Não – responde sério Jorginho.
- O meu tem...Teu pai tem usina em Campos?
- Não.
- O meu tem.
- Teu pai tem iate?
- Não.
- O meu tem.
- Quantos apartamentos teu pai tem?
- Nenhum.
- O meu tem dez. Só em Copacabana. O resto é na Tijuca.
Jorginho baixa os olhos, acaricia o monte de areia que está juntando.
- Teu pai tem televisão?
Nos olhos de Jorginho passa uma nuvem de tristeza. Nem responde.
- O meu tem – informa Paulinho.
Apanha a bola molhada, procura limpá-la dos grãozinhos de areia, pergunta de novo:
- Teu pai é deputado?
Jorginho não sabe o que seja aquilo, mas diz que não, pelas dúvidas. Deve ser coisa importante.
- Tem pai tem automóvel?
Jorginho sorri tristemente, negando.
- O meu tem – diz novamente em triunfo o garoto bem-nascido – O meu tem. Um JK 61 que eu vou na escola, um 62 que ele vai para a cidade, o Oldsmobile da mamãe, a camioneta do sítio, pra gente ir pra Petrópolis.
Jorginho está completamente esmagado. Paulinho sorri orgulhoso. E agora ele nem pergunta mais, apenas informa:
- O meu pai tem 40 ternos de roupa, o teu não tem...
Jorginho sente-se o menor dos moleques do morro.
- O meu pai tem três casas de campo, o teu não tem!
Jorginho sente-se o menor dos moleques do Rio.
O meu pai tem dez cavalos de corrida, aposto que o teu não tem!
Jorginho sente-se o menor dos moleques do Brasil.
- O meu pai tem mais de cem milhões de cruzeiros, garanto que o seu não tem!
Jorginho sente-se o menor dos moleques do mundo.
- O meu pai é amigo do Governador, o teu não é, pronto!
Jorginho sente-se o menor de toso os mortais.
Mas Paulinho ainda não está satisfeito.
- O meu pai tem retrato no jornal, o tem pai não tem, taí.
É quando Jorginho pula vitorioso. Dessa vez tem resposta. Retira do bolsinho do calção rasgado um pedaço amarfanhado de jornal. Exibe-o, peito cheio, orgulho no olhar.
- Isso não! O meu também tem.
E em tom de desafio, irretorquível:
- Tu pensa que é só teu pai que é ladrão?

O preto no branco



Esse francês criou as bases para a arte do fotojornalismo. Era um pintor que se tornou mestre da fotografia.  Henri Cartier-Bresson (1908 -2004). Deixou a pintura e partiu para a fotografia nos anos 30, depois de uma temporada viajando pela África, onde vendia a carne de sua caça como sustento. Destruiu todas as pinturas ao descobrir as possibilidades da fotografia ao ver uma foto de Martin Muncasz, que mostrava três garotos no Congo que brincavam com as ondas do mar.
Com o final da Segunda Guerra, Bresson cria, em 1949, a agência Magnum de fotografia,  referencia até hoje na documentação do século 20.
Bresson me lembra um episódio muito engraçado que ocorreu em Maringá.  Os fotógrafos Ivan Amorin, Henri Jr e Heitor Marcon fariam uma exposição coletiva no Teatro Calil Haddad e me pediram para fazer  um release.  Como o texto seria distribuído para várias revistas e jornais, eu não assinei. Para abrir o release, citei uma frase de Bresson que eu já não me lembro mais.
Até aí tudo bem. Porem, um jornal da cidade resolveu dar crédito ao autor do texto. E adivinha quem assinou a matéria sobre a exposição? Ele mesmo. O camarada Henry Cartier Bresson!